MANDATO PROMOVE ANÁLISE DE CONJUNTURA POLÍTICA

Notícias 08/11/2017

Como uma das atividades do recém-criado Conselho Político, grupo de pessoas que auxiliará o vereador Profº Lino Peres e sua equipe nas decisões políticas do mandato, foi realizado no dia 10 de outubro de 2017 um encontro para debater a conjuntura política municipal, nacional e internacional. Cinco foram a(o)s palestrantes convidada(o)s, cada uma(um) com um tempo de fala de aproximadamente 10 minutos. O primeiro foi o presidente do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis), Renê Munaro; em seguida foi a vez do deputado federal Pedro Uczai; depois a professora Elenira Vilela (IFSC) e na sequência, o historiador e professor Paulino Cardoso (UDESC), finalizando, com a contribuição da advogada popular Daniela Felix.

Após as respectivas análises, a discussão ficou aberta ao público, com o aprofundamento de alguns aspectos abordados durante as exposições. Para assistir às falas das(os) palestrantes, clique no nome de cada uma(um). Ao final veja em vídeo como foi a participação do público presente:

RENÊ MUNARO:

Renê começou traçando um paralelo com o contexto internacional ao relacionar a luta de trabalhadoras e trabalhadores em países da Europa, América Latina e aqui no Brasil. Para ele não há o ‘endireitamento’ da classes trabalhadora: “o que existe é uma política de abstenção no mundo todo e de descrença nos partidos que a classe tinha como referência à partir da coalizão que eles fizeram com setores da burguesia”.

O golpe no Brasil e as retaliações em outros países da América Latina ilustra os risco dos governos que ousam tomar medidas em defesa da soberania da nação, em contraposição ao imperialismo. A destituição da presidenta eleita Dilma Rousseff ocorreu para aplicar uma política de austeridade, afinal a conciliação de classes que o PT fazia não servia mais para a burguesia internacional. Na sua avaliação, uma eleição no país hoje sem Lula é fraude. No entanto, não basta uma candidatura sem um programa que contemple as reformas urbana, agrária e política; que anule as medidas anti-operárias que foram tomadas no governo atual; retomar e refundar as instituições que garantam a democracia e a soberania popular.

Em âmbito local e estadual o cenário de privatização e austeridade fiscal é semelhante. O que o Gean Loureiro (PMDB) faz aqui não é nada mais do que antecipar todas as reformas do Temer.

 

PEDRO UCZAI:

Associou as derrotas que temos sofrido nos últimos tempos com a carência de compreensão do processo histórico, a falta de percepção das correlações de força em jogo neste momento e a análise insuficiente dos movimentos feitos pela Direita. Ele avalia que a política econômica adotada pelo governo ilegítimo de Michel Temer irá aprofundar as desigualdades sociais e o congelamento dos investimentos em gastos primários, pela PEC 241, acarretará na reforma da previdência. Enquanto a reforma trabalhista promoverá uma mudança radical da relação capital e trabalho, tanto na área pública quanto privada, causando profundas transformações estruturais no mundo do trabalho.

Salientou para o desmonte das políticas urbanas e para a perda dos direitos. Alertou ainda para polarização em curso no país, que coloca em risco o processo democrático, no qual a extrema-direita enfrenta a esquerda não como um adversário, mas sim como um inimigo a ser extirpado. “Por outro lado, estamos emergindo com mais força do que quando éramos governo”, avalia Pedro, sem deixar de salientar para a importância de adaptar a militância ao novo contexto que está emergindo, “precisamos ter um horizonte maior do que as eleições de 2018”, finaliza.

ELENIRA VILELA:

Ela alertou para fato de que a crise estrutural do capitalismo que enfrentamos neste momento e que começou a explodir em 2008 é mais forte do que a de 1929, a qual teve como efeito a segunda guerra mundial. No entanto, na contemporaneidade não dispomos de um bloco socialista com as dimensões do soviético para fazer o enfrentamento. Avalia que internacionalmente tivemos um retrocesso no combate aos avanços do capitalismo, prova disso são as guerras em curso e a perde de direitos mesmo em países em que eles estavam mais consolidados.

Ela avalia que a onda neoliberal nunca deixou de existir no país, mesmo durante as gestões do governo Lula, e que no atual contexto político brasileiro ela aumentou de velocidade e se aprofundou. “O golpe tinha um objetivo tão claro, que quando Temer assume ele apresenta duas medidas provisórias ao mesmo tempo, a MP 726 e a MP727”, elucida Elenira sobre os mecanismos de desmonte do estado brasileiro.

Essa quebra do Estado, junto com a perda de direitos e da rede de proteção social e a permissão de repressão a que estamos submetidos permitem o avanço do capitalismo e da exploração em nosso país. Nesse cenário, a luta sindical está se fragmentando, o que Elenira considera como muito grave. Na sua percepção, precisamos de uma organização que enfrente o processo do golpe em si. Ela critica o Partido dos Trabalhadores por ter acreditado demais na capacidade de resolver os problemas via eleições e se mostra cética sobre a possibilidade de haver eleições em 2018: “não é razoável pensar que o imperialismo fez um golpe deste tamanho para dois anos depois entregar o poder a quem quer fosse”, finaliza.

PAULINO CARDOSO (devido a problemas técnicos, no vídeo consta apenas um trecho da fala do professor):

A primeira questão que pontuou em sua análise geopolítica foi para a necessidade de as pessoas perceberem que um novo mundo está nascendo, marcado por duas questões centrais: o fim dos 500 anos de dominação ocidental e da civilização cristã. Diante desse cenário, ele alerta para a necessidade de mudar o modo como examinamos o mundo, qualquer discussão tem que ser pensada dentro dessa nova correlação de forças. Nos próximos 30, 40 anos a maioria dos países ocidentais perderá a hegemonia.

Apontou três projeções importantes a serem pensadas em âmbito mundial: 1) o fim do império estadunidense e a China como potência. 2) mundo multi-focal, com várias potencias regionais. 3) uma banca internacional rentista que disputa a hegemonia e opera por meio de governos.

Diante desses cenários, avaliou como gigantesca a possibilidade de as corporações que concentram e controlam a riqueza emergirem como potencia, visto o consolidado controle dos sionistas no mercado financeiro atualmente. Por fim, criticou a demora em percebermos a importância da cooperação internacional: "o que aconteceu no Brasil, foi a mesmíssima coisa que ocorreu na Ucrânia", avalia Paulino.

DANIELA FELIX (devido a problemas na captação de imagem, no vídeo consta apenas o aúdio da fala):

Ela fez um resgate das expectativas da sociedade civil organizada em torno da construção conjunta de um estado democrático de direito no país que ruíram, de vez, com a instauração do golpe. Daniela mostra como a chegada de Michel Temer ao poder acabou com uma série de conquistas realizadas pelos movimentos sociais. “A gente acreditava que estava construindo política, mas, na verdade, tudo foi por água abaixo”, desabafa.

Ela critica a política de segurança pública voltada à institucionalização das forças do Estado que se desenvolveu nos últimos anos, com a anuência da esquerda. “A gente nunca refletiu criticamente essa política punitivista, esse estado policial ajudamos a construiu”, analisa Daniela. Em sua análise, uma das tarefas a serem feitas em meio ao estado de exceção em que vivemos hoje é pensar na influencia que tivemos para este projeto de sistema de justiça criminal que está posto e que nos atinge e nos repreende.

Terminou salientando para a importância de reconstruir as bases dos movimentos sociais e de repensar o movimento sindical dentro da nova reconfiguração da classe trabalhadora.

Assista a um compilado da participação do público após a fala das(os) palestrantes:

Vídeo