NESTE DOMINGO TEM ATO NA FRENTE DA CATEDRAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO

Notícias 06/06/2020

As ruas precisam gritar! Uma manifestação legítima.

Desde o início da pandemia, de forma mais agravada no mês de março, quando as mortes passaram a compor a curva de vítimas do novo coronavírus, os que lutam todos os dias pela vida não pararam de gritar. Milhares ficaram fora das fotos das ruas vazias, mas continuaram no corre corre das cidades, em especial nas comunidades, ocupações e áreas de moradia dos povos tradicionais como quilombolas, pescadores, indígenas e em locais onde as políticas públicas não chegam.

Não podemos nos iludir. Os pobres das periferias não param em nenhum momento. Quando param é para pensar: o que fazer amanhã? Onde buscar o sustento para mim e para minha família? Essa população, em geral, já faz parte dos 13% dos desempregados ou está na conta dos mais de um milhão e trezentos mil que perderam o emprego até agora, no período da pandemia.

As manifestações do dia 7 de junho não clamam por desconfinamento. Todxs nós sabemos do risco mortal do vírus seletivo que se espalha em massa nas cidades e suas periferias. Mas como praticar o isolamento social, em habitações pequenas e co-habitadas, sem água, boa parte sem banheiro e sem alimentos? Como sobreviver com as portas de suas casas sendo chutadas e arrebentadas pela violência policial? Ainda que protegidos por paredes - quando se tem paredes -, ou no quintal, jovens negros são assassinados. Vidas negras são ceifadas. Foi o caso de João Pedro, inocente de 14 anos, morto por um tiro de fuzil no dia 18 de maio, no Rio de Janeiro. Foram 72 tiros disparados dentro de sua casa. Foi o caso de Vitor, assassinado pela polícia militar no quintal de casa no bairro Ingleses, aqui em Florianópolis, e também jovens mortos recentemente no Morro da Cruz e Chico Mendes, no Monte Cristo.

Centenas, milhares de casos comovem o Brasil! Mas as mortes seguem... As manifestações do dia 7, assim como as do dia 12 e 13 de junho, são legítimas e necessárias, porque clamam por justiça, democracia e direito à vida. Se insurgem contra os desmandos e desgovernos que promovem deliberadamente milhares de mortes, na qual a pandemia se soma aos milhares condenados há muito tempo pela ausência de Estado e políticas públicas.

Nosso mandato reconhece, e já desde a primeira legislatura em 2013, e com os atos massivos a partir dos protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, todas as iniciativas das organizações sindicais, populares e sociais, como meio de luta contra a destruição de direitos e em busca das transformações sociais. Apoiamos porque reconhecemos nelas a expressão da indignação, que se materializa nas conquistas que promovem através dos seus atos públicos. Neste tempo de pandemia, com todos os cuidados que são necessários, damos continuidade às pautas de reivindicações, embaladas pela luta que se universaliza contra o racismo e o genocídio da população negra, que os tem como alvo principal.

Contra este cenário de repressão e opressão, nos dá esperança a decisão do Superior Tribunal Federal de proibir civil e criminalmente operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a epidemia de covid-19, salvo em hipóteses absolutamente excepcionais, que devem ser devidamente justificadas por escrito pela autoridade competente. Esta decisão encontra respaldo na decisão do Superior Tribunal de Justiça que já havia proibido mandados de busca e apreensão coletivos em comunidades de periferia, sob justificativa de perseguição ao tráfico de drogas, o que violava e viola lares de famílias inocentes em comunidades em sua maioria negra. Esta decisão do STF, ainda que tardia, deve ser estendida para o período fora da pandemia, conforme o que respaldam as manifestações dos dias 7 e 12/06 e as impulsionam. Que se cumpra a decisão anterior do STJ e agora do STF!

As políticas fascistas não podem avançar impunemente. Elas destroem nosso povo! Alimentam de forma subserviente o império estadunidense, condenam milhões à desesperança, quando se poderia promover a esperança com distribuição da renda, saúde, educação, trabalho, segurança, habitação, saneamento básico, com dignidade para todas as pessoas.

CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO!

Vidas Negras Importam!

Fim dos mandados policiais de busca e apreensão coletivos!

Fora Bolsonaro e seu governo!