DIA NACIONAL DE DENÚNCIA CONTRA O RACISMO

Notícias 14/05/2020

O 13 de Maio como anedota.

Ontem, 13 de maio, acompanhamos as manifestações, através de dezenas/centenas de publicações de protestos sobre a farsa da abolição dos escravizados no Brasil.

O Movimento Negro, no Brasil, sepultou o 13 de maio, há mais de meio século, como data comemorativa ou de exaltação. Em um dia de sábado, em 1970, um grupo de negros e negras se reuniu em Porto Alegre, liderados pelo poeta, professor e pesquisador Oliveira Silveira.  Questionaram o 13 de maio, denunciando  ausência do protagonismo dos negros e das negras,   e instituindo a posição política de que o dia consolidava, de fato,  o registro da ausência dos direitos civis da população descendente de africanos, portanto, é  dia para combater a abolição inacabada e uma das sequelas mais perversas da escravidão: o racismo! 

Assim, 20 de novembro, Dia da Consciência e do protagonismo negro pela libertação, passou a ecoar nas vozes da militância negra, em todos os cantos do país. Rigorosamente, Consciência Negra é um grito de resistência desde sempre, do povo negro.  

A pergunta que nosso mandato faz é: o que estamos fazendo na prática para combater o racismo estrutural e institucional que atravessa todos os espaços - públicos e privados - e se alastra, ao invés de ser contido? 

A crise do novo coronavírus, Covid-19, é mais um indicador de como vivem e sofrem as populações negras e pobres nas periferias.

Não vamos somente recorrer aos números e indicadores para sustentar o tamanho das desigualdades entre negros e brancos, homens e mulheres e, sobretudo, juventude e mulheres negras.

Nosso mandato está comprometido com estas lutas! Mas avaliamos como muito pouco constatar a gravidade e as consequências do racismo em Florianópolis, em Santa Catarina e no Brasil.

Entre 13 de maio e o 20 de novembro, Dia Nacional de Consciência Negra, vidas são ceifadas! Grande parte, por omissão do Estado e pela ação violenta praticada pelas suas forças institucionais, como a polícia, mas não só! O racismo institucional está disseminado! Em muito, com complacência da sociedade, embora, parte dela queira combater!

Entendemos que é necessário, porém insuficiente, somente protestar contra a “farsa da abolição” e o 13 de maio!  Contudo, espera-se que no próximo 13 de maio as entidades, instituições, lideranças e movimentos sociais apresentem resultados concretos de enfrentamento da desigualdade estrutural e que hierarquiza lugares para os negros e as negras no país.  

Pelo Fim do genocídio à juventude negra e pela apuração imediata dos responsáveis por esta violência!

Pelo direito às terras aos quilombolas!

Pelo combate às desigualdades de gênero!

Pelo fim da violência obstétrica contra as mulheres negras!

Pelo combate às desigualdades na educação!  E pelo adiamento do ENEM que penaliza, na atual conjuntura, os estudantes negros!

Pelo direito à moradia digna!

Pelo fim do racismo no mercado de trabalho!

Pela representatividade de homens e mulheres negr@s na política!

Pela transparência dos dados e indicadores sobre a desigualdade étnico-racial no Brasil!