ÍNDIGENAS KAINGANG FAZEM CAMINHADA NA LUTA POR CASA DE PASSAGEM

Notícias 22/02/2020

Em meio à folia do Carnaval, o grupo indígena Kaingang em Florianópolis levou às ruas o seu grito de reivindicação e luta. Nesta sexta-feira, 21, eles fizeram caminhada do desativado Terminal do Saco dos Limões (Tisac) até o Centro do Capital para conversar com a população e distribuir um Manifesto. O vereador Lino Peres acompanhou a atividade e, neste sábado, 22, também esteve com o grupo em entrevista ao programa Campo de Peixe, na Rádio Comunitária Campeche.

Hoje são 70 famílias, cerca de 200 pessoas, que estão em Florianópolis, no antigo Tisac. Uma vez que as florestas e os rios, que proporcionavam o sustento das famílias, lhes foram tirados, a principal fonte de renda das comunidades indígenas é o artesanato. Por isso, os indígenas vêm a Florianópolis para vender o artesanato e divulgar sua cultura. Ao longo dos anos, eles passavam a temporada em condições desumanas, dormindo em algum canto da rodoviária, em praças públicas, nas paradas de ônibus e até mesmo em baixo de viadutos.

De alguns anos para cá, eles têm lutado para ter espaço no Tisac, mas até agora a Prefeitura Municipal, apesar de alguns avanços, não viabilizou a permanência no local com a Casa de Passagem. Ali, há somente um chuveiro feminino e um masculino, que não suporta a quantidade de pessoas. Diariamente, os vasos sanitários entopem. Por pressão constante dos indígenas, a Prefeitura instalou banheiros químicos e ficou de consertar os atuais banheiros fixos.

Por outro lado, toda vez que chove, o local alaga, pois as lonas de plástico não suportam a força do vento. A fiação de energia elétrica é improvisada e traz grande risco às crianças. Por petição do Ministério Público Federal à Prefeitura, a partir das demandas das famílias indígenas, através de Comissão indígena constituída, a Prefeitura contratou empresa para instalar tapumes de proteção do vento e chuva, obra atualmente em curso, e reformar o sistema elétrico do Terminal. Mas algumas melhorias necessárias estão pendentes.

Embora grande parte das famílias já esteja retornando aos seus locais de origem pelo início do período escolar, outras ficarão no local para acompanhar as negociações junto ao Ministério Público, Funai, Governo do Estado e Prefeitura, e o grupo de apoio e o nosso mandato continuarão mantendo contato e auxiliando no processo de intermediação das demandas.

Agradecemos Fátima Menoncin pelo belo registro fotográfico!