HOMENAGEM AO JORNALISMO INDEPENDENTE EM FLORIANÓPOLIS

Notícias 21/02/2020

Essa homenagem ao jornalismo independente de Florianópolis acontece em um momento de forte ataque do governo de Jair Bolsonaro ao jornalismo e aos jornalistas. E se é grave a situação para jornalistas que atuam em grandes veículos, pior ainda é a dos profissionais que atuam no chamado jornalismo independente ou alternativo, que dispõem de pouca ou nenhuma estrutura para fazer seu trabalho, muitas vezes sofrendo assédio e sendo alvos de ameaças.

Hoje, com a existência de apenas um jornal diário impresso em Florianópolis, são cada vez mais escassas as vagas na chamada imprensa tradicional, que ainda assim fica com a quase totalidade dos recursos de publicidade previstos no orçamento municipal.

Mesmo diante dessas dificuldades, Florianópolis tem mostrado, ao longo das décadas, belas experiências de jornalismo independente, comprometido com as lutas do movimento popular.

Podemos citar, dos anos 80 aos anos 2000, o Afinal, o Contestado, a Bernunça, a Folha da Lagoa, a Folha do Campeche, o Jornal das Comunidades, o Jornal do MUCAP, que era o Movimento Unificado contra as Privatizações, o Tijoladas do Mosquito, do saudoso Amilton Alexandre, e o Daqui na Rede, do saudado Celso Martins.

Atualmente, pautas fundamentais ligadas à habitação, meio ambiente, saúde, greves, denúncias de má aplicação de recursos públicos só aparecem nas mídias alternativas. Um bom exemplo é a Operação Chabu, que envolve o prefeito Gean Loureiro e praticamente só é noticiada em colunas.

Na sessão de ontem, 20, homenageamos nove iniciativas comprometidas com as lutas do movimento popular: Rádio Comunitária Campeche; Portal Desacato; Portal Catarinas; Coletivo Estopim; Coletivo Maruim; Pobres & Nojentas; Agência Ganesha e Jornalistas Livres em Florianópolis. A jornalista e diretora de comunicação da Associação Catarinense de Rádios Comunitárias (Acracom), Izabel Fávero, também foi homenageada.

A sessão contou com a presença do presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Aderbal João da Rosa Filho, que destacou os dados do relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2019, divulgado em janeiro deste ano.

De acordo com o relatório, que está disponível no sitio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em 2019, “o Brasil registrou 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas, representando um aumento de 54% em relação a 2018. Destes, 114 casos foram de descredibilização da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais de imprensa”.

Ressaltamos que o trabalho desses veículos e seus profissionais mostra que o direito à cidade pleno e concreto passa necessariamente pelo direito à comunicação e ao jornalismo comprometido com a emancipação humana.