CENTENAS VÃO ÀS RUAS EM MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Notícias 26/11/2019

Negras, negros e pessoas antirracistas percorreram as ruas do Centro de Florianópolis no último sábado, 23, durante a Marcha da Consciência Negra, que teve como lema “Contra o Genocídio do Povo Negro, em Defesa dos Nossos Direitos”.

O ponto de encontro se deu na Escadaria do Rosário, um dos poucos espaços atuais no centro da cidade em que o povo negro utiliza para encontros e manifestações culturais. Saíram para a Marcha no alto da Escadaria, bem em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, construída entre 1787 e 1830 por negros escravizados, ex-escravizados e pessoas pobres da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Lugar, portanto, histórico da comunidade negra e que hoje se reveste de luta contra o racismo e da ancestralidade deste povo.

Protestaram e lembraram a luta de Zumbi dos Palmares e Dandara. Lembraram também de outras pessoas que lutaram contra o racismo, como Marielle Franco, socióloga e vereadora do Rio de Janeiro brutalmente assinada por milicianos. “Marielle perguntou, eu também vou perguntar, quantos mais têm que morrer pra essa guerra acabar?” foi um dos gritos de protesto.

Após percorrer as ruas do Centro, a Marcha, organizada pela Frente da Juventude Negra Anticapitalista – Frejuna, concentrou-se na Praça Tancredo Neves e lembrou os avanços da OLIGARQUIA branca contra os territórios dos negros e mais pobres. “A Mauro Ramos é considerada a Faixa de Gaza de Florianópolis”, disse uma militante do movimento negro. A fala diz respeito à separação da população da Capital, antes feita pela Avenida Hercílio Luz. Uma segregação moderna: enquanto a cidade cresce desordenadamente, aos negros e pobres restam os locais menos privilegiados.

O vereador Prof. Lino Peres, único vereador negro de Florianópolis, diz que os negros e as negras estão alienados da sua própria criação. “O trabalhador negro que constrói um edifício na Beira-Mar Norte, quando olha pra ele, se for visto pela polícia pode até ser preso”, desabafou. Lino também denunciou o roubo das terras da população negra, a exemplo do Quilombo Vidal Martins, que hoje luta para direito de retorno das e dos quilombolas ao seu solo de forma integral.

Foi um momento importante e inesquecível de luta e resistência durante um governo racista e preconceituoso, que ataca os direitos da população, sendo os negros e pobres os primeiros a sofrerem com estes atos desordenados. A juventude move este país. Levamos a certeza de que nossos ancestrais estão orgulhosos deste momento.