RECONHECIMENTO À PERSONALIDADES NEGRAS NO COMBATE AO RACISMO

Notícias 31/05/2019
 
Representatividade e reparação histórica foram as motivações que levaram mandatos petistas a escolher, respectivamente, Dandara Manoela e Ildefonso Juvenal para receberem, na tarde do dia 27 de maio de 2019, a Medalha Cruz e Sousa, entregue às pessoas negras ou defensores da raça negra, nas áreas cultural, desportiva, de desenvolvimento social e educacional e outras, no Município de Florianópolis. Não é só no nome que Dandara se faz guerreira, a cantora, indicada pela então vereadora Carla Ayres quando esta assumiu o mandato durante um mês no ano passado, no lugar do vereador Lino Peres, simboliza a resistência, a força e a luta das mulheres negras, historicamente relegadas a uma posição de subalternidade em nosso país. Sua presença e seu canto potentes reverberam a importância da representatividade como uma ferramenta fundamental de desconstrução do olhar deturpado que o racismo incute em cada um de nós.
 
Ildefonso Juvenal, escritor, jornalista, major e farmacêutico, nascido em Florianópolis no século XIX, recebeu, In Memoriam, a medalha como uma forma de fazer reparação histórica aos intelectuais negros(as) de Santa Catarina, que tiveram suas obras invisibilizadas devido ao preconceito racial. Além disso, reconhecemos o seu esforço de manter o legado de Cruz e Sousa na memória do povo catarinense, ao ser um dos dirigentes da campanha financeira que angariou recursos para a produção do busto do poeta simbolista, inaugurado em 1923. A honraria foi entregue à Dione da Silva Martins, uma de suas netas. Para quem quiser conhecer mais sobre ele, acaba de ser lançado um livro que reúne 90 artigos do escritor: “Ildefonso Juvenal da Silva Um Memorialista Negro no Sul do Brasil”, da Editora Cruz e Sousa.