POLÍTICA HIGIENISTA DA PREFEITURA AUMENTA O CERCO CONTRA A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

Notícias 21/05/2019
 
Para uns apenas um tapume, para outros a negação de um direito. Ao verem a marquise da Rua Deodoro, no Centro de Florianópolis, interditada, integrantes do Movimento da População em Situação de Rua convocaram um ato, realizado no dia 20 de maio, para denunciar a violência do poder municipal, que, sem aviso prévio, fechou o local em que passam a noite e abrigam-se da chuva e do frio. “O que eles querem é fazer com que a pop rua que está ilha cruze a ponte”, denunciou o viés higienista dos tapumes, uma das lideranças presentes na manifestação, realizada em frente ao prédio da Prefeitura. O secretário da Casa Civil, Everson Mendes, junto com o comandante da Guarda Municipal, recebeu uma Comitiva constituída pelas lideranças da população em situação de rua, advogadas da Associação Nacional de Advogados Populares, Defensoria Pública Estadual, representante do Instituto Arco-Íris Direitos Humanos (que há anos dá assistência ao público que vive em situação de rua), Padre Vilson e o vereador Lino Peres para dialogar sobre os encaminhamentos a serem tomados. Todos os membros da Comitiva destacaram a complexidade social do caso e a necessidade dessa população ser tratada de forma integral, com acolhimento e dignidade, e para a qual se deve implementar políticas sociais que há anos vêm sendo discutidas. Pelo menos desde 2013, já foram realizadas sete audiências públicas e reuniões ampliadas promovidas pelos Movimentos Nacional e Estadual da População em Situação de Rua, entidades e também pela Câmara Municipal.
 
De imediato, o movimento pediu para que um ponto de apoio fosse providenciado, o mais rápido possível, e que não houvesse retaliações por parte das forças policiais após a realização do ato. Apesar de a livre manifestação ser um direito, recorrentemente pessoas que vivem em situação de rua denunciam abusos por parte de agentes da Guarda Municipal e da Polícia Milita. Uma nova reunião ficou marcada para o dia  22 de maio, para verificar se medidas foram tomadas, com a presença da Secretaria Municipal de Assistência Social, Secretaria Municipal de Saúde e representantes da ONG DOA, do Centro Pop e do IGEOF, junto com a Comitiva que participou da negociação de ontem. Neste momento de mobilização é fundamental que leve-se em conta a implementação de uma política de estado a curto, médio e longo prazo sob a coordenação do Comitê Municipal Intersetorial da População em Situação de Rua e do recém criado Fórum Regional da População em Situação de Rua.
 

Em frente ao prédio da Prefeitura manifestantes pediram por respeito e dignidade no tratamento da gestão municipal com o público da população em situação de rua - Foto: Talita Burbulhan


Após a reunião com o secretário da Casa Civil integrantes da Comitiva dialogaram com as e os manifestantes no Largo da Catedral  - Foto: Elisa Jorge